Da microssérie (que era pra ser) de um capítulo apenas (mas eu não resisto)_Um daqueles posts com licença poética e blá.
Tendo a lua aquela gravidade aonde o homem flutua
Da microssérie (que era pra ser) de um capítulo apenas (mas eu não resisto)_Um daqueles posts com licença poética e blá.
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Nem só de coletivos vive o Coisas. Pois. Numa segunda, há cerca de duas semanas (será?), lá fomos nós, Coisas e eu, a convite do namorado – que não curte mesmo essa coisa de blog (que coisa!) ao teatro.
A peça é Noturno, um musical que foi escrito por Oswaldo Montenegro e completa 18 anos – é o espetáculo mais antigo da Oficina dos Menestréis, com estréia em São Paulo em 1991. O elenco é formado pelos (empenhados) alunos do teatro-escola – será que posso chamar assim? – que participam dos cursos e workshops ministrados pela Oficina. São 50 menestréis (não, antes que alguém pergunte, eu não contei, li no site), que cantam, dançam, atuam... se jogam num figurino preto. No escuro. Que acolhe todas as criaturas que a luz expulsou.
Precisa dizer que o tema é a noite paulistana, que é “o horário do amor e dos mistérios”? Os esquetes retratam a boemia e também a violência, o trânsito, encontros, cenas do cotidiano... coisas de cidade grande.
No total escuro. É assim que o espetáculo começa. E é assim também que boa parte dele se desenrola. Os atores aparecem e desaparecem do palco em poucos segundos: reaparecem no meio da plateia, nas paredes, na cruz instalada numa das laterais.
Além dos alunos, o elenco de apoio é formado por uma banda e cantores que eu achei coisa sensacional, com uma trilha sonora pra lá de bacana. E tudo isso sob a direção de Deto Montenegro, irmão do autor e compositor, que também comanda o jogo de iluminação, ora alegre, ora sombria – que, believe, faz toda a diferença no espetáculo.
Ó uma das músicas:
Criaturas da Noite (Oswaldo Montenegro)
Eu tenho medo de ver
As criaturas da noite
Estátuas sem rosto me olhando eu já vi
As criaturas da noite
O noturno véu, porcelana lua de luz violeta
Brilha de néon no céu, porcelana lua de luz violeta
Eu tenho medo de ver...
Vai lá, que o Coisas recomenda!
Mas vai de roupas bem levinhas, que vou te contar, hein? O calor que anda fazendo no teatro. Patrocínio, por favor?
Teatro Dias Gomes
Rua Domingos de Moraes, 348, Vila Mariana, São Paulo – SP
Temporada: de 05/10 a 01/12/2009
Segundas e terças, às 21h
Ingresso: R$ 20,00
Informações: (11) 5575-7472
Site: http://www.oficinadosmenestreis.com.br/old/pecas.htm
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(...) Nesse período, perdi animais de estimação que estavam mais para membros da família. E doeu bastante. Ainda lamento a falta deles.
Fiz amizades e perdi amizades. Só que amigos de verdade não se perdem. Então acho que saí no lucro.
Aprendi que, sim, por mais que eu não queira, sou mais forte do que digo e penso.
Perdi a vergonha e me envergonhei ainda mais. Eu me apaixonei. Uma vez só. E quero cada pedacinho de infelicidade e o borboletear das asinhas de todas as 97 borboletas que carrego no estômago. Não, eu não fui correspondida – pelo menos não da maneira que mocinhas apaixonadinhas com olhar adolescente esperam (mesmo sabendo que não vai rolar). Mas percebi que o que me falta não é um amor tranquilo. Tive medo.
Senti falta e inveja de mim mesma. Raiva de quando não sou tudo o que poderia ser. Chorei tanto, que correram lágrimas que nem eram mais minhas – ou não deveriam mais me pertencer.
Dizem que a fase de maior crescimento de um ser humano é do nascimento ao primeiro ano de vida. O último ano da minha vida foi o que mais me ensinou, não tenho dúvidas.
Tive alegrias também. Quatro pessoas muito importantes passaram no vestibular para universidades federais. Duas tão especiais quanto, também conseguiram entrar na faculdade – e a minha fé de que daria certo não fez dessa conquista coisa menos estonteante. Amigas especiais, mais pra irmãs, casaram-se. Outros, tornaram-se pais, avós, bisavós.
Minha avó e meu avô rezam por mim todos os dias e me parte o coração ficar longe deles, mais do que quaisquer pessoas. Estou protegida. Minha irmã caçula e o meu pai sempre me ligam pra dizer que me amam. Os meus irmãos me amam e não precisam dizer nada: são o meu equilíbrio vital. A minha mãe é a outra metade da minha alma, ainda que não saiba e ainda que ela não esteja partida apenas em dois pedaços. Jamais ficaria completa sem a minha madrinha. Eu me dei conta que tenho a família menos convencional do mundo e, mesmo assim, a mais homogênea.
Tenho uma tia e uma avó que estão sempre comigo também em orações. Um tio que eu amo de paixão, e não me declaro. Com filhas que são quase minhas sobrinhas e por quem tenho um carinho imenso.
Vez por outra tenho surtos e gasto. Muito. Coisa que eu não posso e que não me completa. Com menor frequencia, acalmo o lado da alma que me pertence e rezo.
Continuo angustiada. Cansei de tentar ser leve. Ainda assim, sou.
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Preciso de um colchão que não me seja um absurdo. Porque, a não ser que me venha um aumento, coisa pouca, mas coisa honesta, a minha conta do Bradesco tá bem em coma profundo (pensa que é fácil ser gente grande?).
Mas colchão é uma coisa séria, gente, é decisão difícil, é quase pra vida toda e temei o pra sempre. Pensa bem: dura mais que a maioria dos casamentos e, muitas vezes, pode durar mais que o próprio dono. Eu gostava, do meu antigo colchão. Mas ligar pro falecido pra perguntar a densidade da bagaça é o ó, mancada.
Pensei em comprar um colchão pela internet. Porque aquele papo de deita, sente as molas e tudo mais, como bem me lembrou uma crônica do Antônio Prata – e, se não me falham as ideias, também já li algo do Mário, também Prata, sobre isso – é coisa pra lá de constrangedora tentar ficar “a la vontê” degustando a maciez e as molas e a densidade do colchão assim, no meio da loja, sem nem pôr um pijama, tomar um negocinho antes, embolar pra lá e pra cá, colocar um travesseiro entre as pernas.
Mas comprar colchão pela internet é quase como escolher marido pela internet, hein? Sem a prova dos nove nem nada?
E eu fico nessa de compro não compro, vou não vou, deito não deito, enquanto a minha coluna grita, reclama, esperneia e eu converso calmamente comigo mesma: calma, flore, já passamos por coisas bem piores, hein? Vai por mim: toma um olcadil e dorme, linda e loira.
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No final de semana passado, fomos ao aniversário da minha prima. Sim, fomos. Nós dois: namorado e eu – desencalhei, gente! (love, love, love). Então. Fomos. A reunião foi na Vila Olímpia, no apartamento ultra mega blaster chiquetoso dela.
Só que este ano, além do namorado – ele bem foi avisado, hein? Da pernambucalhada que encontraria pela frente? –, a novidade foi a minha tia, que veio a São Paulo pela primeira vez a convite da sobrinha aniversariante.
Pois conversa vai, cerveja vem, conversa vem, tequila vai, e ela começa a contar sobre um evento que a tinha deixado intrigada: a luz que acendia sozinha.
É que lá em Catende, de onde a gente vem (e nem faz diferença quem nasceu em Palmares, Recife ou mesmo Campina Grande, que todo mundo veio mesmo foi de Catende), lá no interior de Pernambuco, não tem essas modernidades não. Pra acender a luz, você tem que apertar o pitoco (que é o interruptor). E a história foi mais ou menos assim:
Toda vez que a gente saia do elevador, a luz acendia. E eu ficava olhando pra mão de Alê (o marido da sobrinha), pra ver se ele apertava em alguma coisa. E nada. Ele deve apertar em algum botão, né? E eu não vejo? A porta do elevador abria e a luz acendia.
E, agora a noite, quando a gente foi descer, abri a porta, pisei no tapete e a luz acendeu sozinha. E eu, muito esperta, achei que tinha entendido, né?
- Já sei, madrinha! É o tapete! Toda vez que a gente pisa no tapete, a luz acende. É isso. Já descobri.
- Cláudia, não é o tapete. É o sensor! Cláudia, sensor, sensor, Cláudia! hahaha”
Risos, hein? Gargalhadas. A história foi contada quatro vezes e não perdeu a graça. E eu fiquei pensando: como danado ela conseguiu dormir sem descobrir como era que a luz se acendia?
Teve também a história da torneira do banheiro, que a água saía sozinha, do petit gateau, do chuveiro que não esquentava (se eu tomo banho fervendo em Catende, imagina num frio da muléstia desses!), da pizza com o nome estranho. Nada como descobrir as coisas, que nem criança.
E esse mundo moderno é mesmo o fim do mundo, hein tia Cacá? Quer coisa mais honesta que apertar o pitoco?
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εïз mi
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É assim. A mente pensante do Coisas anda bobinha, bobinha.
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Coisadinhos de mi vida, um comunicado importante, importantérrimo: sou uma divorcèe.
A bagaça, finalmente, está no papel. E não poderia ter sido em melhor hora. Believe!
pê.esse:
_ganhei até um parabéns do falecido. Viva, hein? Os bons modos, os tempos modernos, o divórcio aos 26 sem guris e com uma carinha de débutant. Love, love, love.
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