terça-feira, 2 de março de 2010

Tendo a lua

Da microssérie (que era pra ser) de um capítulo apenas (mas eu não resisto)_Um daqueles posts com licença poética e blá.


Eu hoje joguei tanta coisa fora
Eu vi o meu passado passar por mim
Cartas e fotografias gente que foi embora
A casa fica bem melhor assim...

Tendo a lua aquela gravidade aonde o homem flutua
Merecia a visita não de militares
Mas de bailarinos
E de você e eu.
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É que hoje é dia de faxina no cafofo (e na alma também). De rasgar cartas e fotografias de gente que foi embora. De sentir saudades da minha bailarina que (ô meu pai!) já tem seis anos. De sentir culpa por não estar presente (mais uma vez) nos aniversários dos meus irmãos e pai (reparem como os parênteses vêm com tudo hoje).
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E, sim, o céu de Ícaro tem mais poesia que o de Galileu. Com ou sem lua.
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Calma, calma, coisadinhos. O Coisas não anda borocoxô. Logo mais a série "Comidinhas Gostosas", só digo isso!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

E quando a gente vai à praia paulistana, meu?

Tudo começou na sexta-feira à noite, noitíssima, de um dia pra lá de longo (existe longuíssimo?): "Então, amor... é que o Gustavo convidou pra irmos à praia, vamos? Hum... Ah, vai ser legal... Amanhã? É melhor ir hoje, pra já amanhecer lá e não pegar trânsito. Hum... tá bom, vai... vou arrumar as coisas então.
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Depois de uma semana com novidades bem desestimulantes no trabalho, daquelas que dá vontade de estrangular um ser humano ou sair correndo, gritando e puxando os cabelos, tudo ao mesmo tempo, e de uma tarde cheia de tempestade, a pessoa aqui estava cansada, colegas. Muito cansada, só digo isso. Não queria mesmo pensar na possibilidade de dormir fora do cubículo do cafofo, de deixar o meu sofá-cama vermelho nada confortável, de desbravar as rodovias paulistanas. Queria era banho quente e cama! Se rolasse um jantarzinho (viu, ton? rsrs) gostoso antes, melhor ainda.
mmm
É revigorante encontrar o mar no final de semana. Ainda que seja outro. Aliás, melhor ainda que seja outro. E molhar os pés em água salgada novamente, sem ter que viajar mais de dois mil quilômetros pra isso e tendo como guia do litoral paulistano o melhor namorado da região (e o mais aquático também). E ver que Pernambuco está bem mais próximo do que se imagina: numa praia do Guarujá.
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m
Que é bonita por demais até, mas bem diferente da paisagem nordestina com a qual me deparei a vida inteira. Com aquele clima de serra, mas o mesmo sol de esquentar o crânio e a mesma água morna – que não deveria estar tão morna assim, pelo que soube – e a mesma areia escaldante. E o mar casado (será que é assim?), gente, que absurdo de tão romântico: casa, separa, casa, separa. Mas sempre casa de novo.

E, por mais estafada e ensolarada (a ressaca passou no domingo mesmo) que esteja, chegar ao trabalho (sem ter pensado nele nem por um segundo no final de semana) com ânimo de quem acaba de voltar de férias novamente. A vida até que pode ser mais leve – deixa só eu aprender a viver mais levemente pra vocês verem só! Dá até vontade de embarcar no projeto de comprar um barquinho, colocar o nome de Amelie (em homenagem à nossa gatinha, uma Sagrada da Birmânia que ainda nem existe) e sair por aí navegando, navegando, navegando.
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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Quem disse que cheguei a tempo dos parabéns?

Nem a tempo do “é pique, é pique”. Acontece que o meu voo (ainda acho horrível escrever sem o chapeuzinho), que tinha conexão em Recife, teve mais de quatro horas de atraso. E a chegada que estava prevista para as 20h30 só aconteceu depois das 00h30. Ou seja, no dia 26. Pronto, perdi o aniversário de São Paulo. De novo!
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E o primeiro dia de volta à terra dos temporais foi pra lá de deprê (vamos excluir daqui o reencontro com o namorado, que foi a única coisa que encheu o peito de novo de coisas boas, depois de chorar e chorar e chorar viagem afora). Explico: sem tevê, internet ou telefone e com muita, mas muita mesmo, chuva, daquelas que entristecem (vocês, que têm a caixinha mágica em casa, bem devem ter visto as reportagens). E aí, né, não dá outra: a pessoa aqui volta a se perguntar “o que raio, hein? que eu tou fazendo aqui nessa cidade que São Pedro não dá nem trégua? vôte!”. E visualizem que, para completar o quadro de mau-humor e solidão do ser humano que vos fala, não havia alimento que alimentasse satisfatoriamente no cafofo – afora a cocada-que-não-vingou e que virou bolinha-de-doce-de-côco-com-açúcar-mascavo-da-minha-mãe e dois pares de cachaças paraibanas, as melhores da região.
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Pois. Sem comida e sem guarda-chuva. Sim, porque o meu já deu o que tinha que dar e nem sei como vou voltar pra casa hoje do trabalho. E nem se o computador vai ligar (se você nos lê, ligou, oras! viva, então!). Enfim, o problema foi a terça-feira, a volta pra Sampa e blá. Onde eu tava? Dia triste, tristonho, sem comida. Sem ter como pedir por telefone ou me comunicar com o mundo, porque telefone não havia não. Sem coragem de tomar um belo banho de chuva pra comprar um belo miojo ou uma sopa de saquinho no mercadinho da esquina, que o crime não compensava.
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Eis que a chuva para de chover. O telefone, como mágica,volta a dizer alô. O namorado liga e convida pra um yakissoba honestíssimo na Liberdade: "amor, ninguém consegue ficar feliz com essa fome toda". E você sente que o vento gelado que vem com os pingos d´água nem é tão ruim assim; tem a agradável suspresa de encontrar o restaurante gostoso e "balato" praticamente vazio, dispensa até o rolinho primavera e vai direto pro macarrão; de mãos dadas sobre a mesa, quase como uma adolescente (ó que meigo), com o estômago bem mais feliz, começa a se lembrar de alguns tantos porquês de se estar tão ligada a esta cidade garoenta, verdade, mas tempestiva também. E, por um momento, tem até vontade de chamá-la de lar.
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domingo, 24 de janeiro de 2010

Happy Birthday to Sampa!

Pois então. A minha pessoa volta à terra garoenta alagadérrima amanhã, que é dia 25. Que é dia de aniversário da cidade: a minha querida paulicéia desvairada completa 456 anos.

Precisa nem dizer, né? O Coisas et moi há de perder todas as comemorações que não são nada poucas (aliás, não estou sendo, que a galera tá festejando desde sexta passada). Demônios da Garoa (quer mais paulistano que isso?), show da Maria Rita e da Vai-Vai (dá pra acreditar que eu perdi isso?), São Paulo Bike Tour (saindo do prédio da Porto Seguro, ó que bacana), orquestras e exposições e mais um "mói" de coisas no Ibirapuera. Tudo isso.

Gente, e o danado do bolo do Bexiga? Aquele baita bolo que acaba em cinco segundos na mundiça maior do mundo? Será que vai rolar este ano? Que ano passado o bolo foi virtual, ó!

E tem ainda a Cow Parade, aquela exposição das vaconildas (múúúúúú) pra lá de bacanérrima que arrasa, arrasa, arrasa no mundo, ora aqui, ora acolá, de volta a São Paulo. Quase 90 estátuas decoradas de vacas que estão espalhadas por toda a cidade, segundo eu soube. E as da Avenida Paulista a pessoa há de ver, né não? E pagar mico e fotografar fazendo pose sem noção. Vamocombiná!

Pausa sentimentalista, que isso é uma coisa muito da importante.

Precisa dizer que a pessoa vai desaguar tal qual chuva de verão amanhã? Despedida e saudade e aperto no peito é uó e vou logo dizer, hein? O ser humano aqui não se acostuma nunquinha en la vie com isso. Bobeira perder todas as megalocomemorações se foi pra passar uma manhã a mais na terrinha com os meus. Mas conforto mesmo é saber que o meu próprio paulistano há de me esperar amanhã no aeroporto. É, pessoas, Sampa já me deu bem mais do que eu esperava. E olha que eu ainda espero bastante!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Vergonha, vergonha

Coisadinhos de mi corazón, confesso: o Coisitas aqui não foi atualizado por pura vergonha. Por mais contraditório que pareça!
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Falta de vergonha na face? Sim, sim, no começo. Mas, depois de tanto e tanto tempo nese hiato - acho chiquérrimo esse negócio de hiato - e de férias espetaculosas pelo Nordeste (praia, família, caranguejo, love, love, love), o silêncio há de chegar ao fim. Negócio é que o dando do hiato foi tão grande que deu vergonha foi de voltar.
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Enfim. 2010 cheio de coisas bacanas pra nós, né não?
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Sampa, espera que eu tou voltando.
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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Vem com tudo, 2010!

Posso? Postar um textinho retroativo? Posso, né?
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Pois bem. Um 2010 bem coisado de coisas boas. Que a gente tá é merecendo, né não? Depois de um ano de tanta labuta e tantas conquistas? Eu acho!
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Só pra não dizer que não houve um encerramento aqui nessa bagaça. Tenho dito.
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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Noturno: carregando as criaturas que a luz expulsou

Nem só de coletivos vive o Coisas. Pois. Numa segunda, há cerca de duas semanas (será?), lá fomos nós, Coisas e eu, a convite do namorado – que não curte mesmo essa coisa de blog (que coisa!) ao teatro.

A peça é Noturno, um musical que foi escrito por Oswaldo Montenegro e completa 18 anos – é o espetáculo mais antigo da Oficina dos Menestréis, com estréia em São Paulo em 1991. O elenco é formado pelos (empenhados) alunos do teatro-escola – será que posso chamar assim? – que participam dos cursos e workshops ministrados pela Oficina. São 50 menestréis (não, antes que alguém pergunte, eu não contei, li no site), que cantam, dançam, atuam... se jogam num figurino preto. No escuro. Que acolhe todas as criaturas que a luz expulsou.

Precisa dizer que o tema é a noite paulistana, que é “o horário do amor e dos mistérios”? Os esquetes retratam a boemia e também a violência, o trânsito, encontros, cenas do cotidiano... coisas de cidade grande.

No total escuro. É assim que o espetáculo começa. E é assim também que boa parte dele se desenrola. Os atores aparecem e desaparecem do palco em poucos segundos: reaparecem no meio da plateia, nas paredes, na cruz instalada numa das laterais.

Além dos alunos, o elenco de apoio é formado por uma banda e cantores que eu achei coisa sensacional, com uma trilha sonora pra lá de bacana. E tudo isso sob a direção de Deto Montenegro, irmão do autor e compositor, que também comanda o jogo de iluminação, ora alegre, ora sombria – que, believe, faz toda a diferença no espetáculo.

Ó uma das músicas:

Criaturas da Noite (Oswaldo Montenegro)

Eu tenho medo de ver

As criaturas da noite

Estátuas sem rosto me olhando eu já vi

As criaturas da noite

O noturno véu, porcelana lua de luz violeta

Brilha de néon no céu, porcelana lua de luz violeta

Eu tenho medo de ver...


Vai lá, que o Coisas recomenda!
Mas vai de roupas bem levinhas, que vou te contar, hein? O calor que anda fazendo no teatro. Patrocínio, por favor?

Teatro Dias Gomes

Rua Domingos de Moraes, 348, Vila Mariana, São Paulo – SP

Temporada: de 05/10 a 01/12/2009

Segundas e terças, às 21h
Ingresso: R$ 20,00
Informações: (11) 5575-7472
Site: http://www.oficinadosmenestreis.com.br/old/pecas.htm

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Ah, o amor!

"Dentre as muitas magias que há, uma delas é olhar um ser amado dormindo: a salvo dos olhos e da consciência, por um delicioso instante tem-se nas mãos sua parte mais íntima; indefeso, ele nesse instante é tudo, por mais irracional que fosse, que sempre teve a certeza de que seria, puro como um homem, terno como uma criança."

Truman Capote

Copiei, ó. Daqui.

domingo, 15 de novembro de 2009

Meus vinte e poucos anos...

27. Não tem nem por que negar. E sim, essa é uma daqueles escritos retroativos que havia mencionado. E que foi escrito há, pelo menos, uns cinco meses. Coisa existencial. A parte do amor anda desatualizada. Ele veio. E, embora naturalmente, de manso não teve nada. Mas isso é outra história:

(...) Nesse período, perdi animais de estimação que estavam mais para membros da família. E doeu bastante. Ainda lamento a falta deles.

Fiz amizades e perdi amizades. Só que amigos de verdade não se perdem. Então acho que saí no lucro.

Aprendi que, sim, por mais que eu não queira, sou mais forte do que digo e penso.

Perdi a vergonha e me envergonhei ainda mais. Eu me apaixonei. Uma vez só. E quero cada pedacinho de infelicidade e o borboletear das asinhas de todas as 97 borboletas que carrego no estômago. Não, eu não fui correspondida – pelo menos não da maneira que mocinhas apaixonadinhas com olhar adolescente esperam (mesmo sabendo que não vai rolar). Mas percebi que o que me falta não é um amor tranquilo. Tive medo.

Senti falta e inveja de mim mesma. Raiva de quando não sou tudo o que poderia ser. Chorei tanto, que correram lágrimas que nem eram mais minhas – ou não deveriam mais me pertencer.

Dizem que a fase de maior crescimento de um ser humano é do nascimento ao primeiro ano de vida. O último ano da minha vida foi o que mais me ensinou, não tenho dúvidas.

Tive alegrias também. Quatro pessoas muito importantes passaram no vestibular para universidades federais. Duas tão especiais quanto, também conseguiram entrar na faculdade – e a minha fé de que daria certo não fez dessa conquista coisa menos estonteante. Amigas especiais, mais pra irmãs, casaram-se. Outros, tornaram-se pais, avós, bisavós.

Minha avó e meu avô rezam por mim todos os dias e me parte o coração ficar longe deles, mais do que quaisquer pessoas. Estou protegida. Minha irmã caçula e o meu pai sempre me ligam pra dizer que me amam. Os meus irmãos me amam e não precisam dizer nada: são o meu equilíbrio vital. A minha mãe é a outra metade da minha alma, ainda que não saiba e ainda que ela não esteja partida apenas em dois pedaços. Jamais ficaria completa sem a minha madrinha. Eu me dei conta que tenho a família menos convencional do mundo e, mesmo assim, a mais homogênea.

Tenho uma tia e uma avó que estão sempre comigo também em orações. Um tio que eu amo de paixão, e não me declaro. Com filhas que são quase minhas sobrinhas e por quem tenho um carinho imenso.

Vez por outra tenho surtos e gasto. Muito. Coisa que eu não posso e que não me completa. Com menor frequencia, acalmo o lado da alma que me pertence e rezo.

Continuo angustiada. Cansei de tentar ser leve. Ainda assim, sou.

domingo, 1 de novembro de 2009

O tal do colchão

Preciso de um colchão que não me seja um absurdo. Porque, a não ser que me venha um aumento, coisa pouca, mas coisa honesta, a minha conta do Bradesco tá bem em coma profundo (pensa que é fácil ser gente grande?).

Mas colchão é uma coisa séria, gente, é decisão difícil, é quase pra vida toda e temei o pra sempre. Pensa bem: dura mais que a maioria dos casamentos e, muitas vezes, pode durar mais que o próprio dono. Eu gostava, do meu antigo colchão. Mas ligar pro falecido pra perguntar a densidade da bagaça é o ó, mancada.

Pensei em comprar um colchão pela internet. Porque aquele papo de deita, sente as molas e tudo mais, como bem me lembrou uma crônica do Antônio Prata – e, se não me falham as ideias, também já li algo do Mário, também Prata, sobre isso – é coisa pra lá de constrangedora tentar ficar “a la vontê” degustando a maciez e as molas e a densidade do colchão assim, no meio da loja, sem nem pôr um pijama, tomar um negocinho antes, embolar pra lá e pra cá, colocar um travesseiro entre as pernas.

Mas comprar colchão pela internet é quase como escolher marido pela internet, hein? Sem a prova dos nove nem nada?

E eu fico nessa de compro não compro, vou não vou, deito não deito, enquanto a minha coluna grita, reclama, esperneia e eu converso calmamente comigo mesma: calma, flore, já passamos por coisas bem piores, hein? Vai por mim: toma um olcadil e dorme, linda e loira.


O tapete que acende a luz

No final de semana passado, fomos ao aniversário da minha prima. Sim, fomos. Nós dois: namorado e eu – desencalhei, gente! (love, love, love). Então. Fomos. A reunião foi na Vila Olímpia, no apartamento ultra mega blaster chiquetoso dela.

Só que este ano, além do namorado – ele bem foi avisado, hein? Da pernambucalhada que encontraria pela frente? –, a novidade foi a minha tia, que veio a São Paulo pela primeira vez a convite da sobrinha aniversariante.

Pois conversa vai, cerveja vem, conversa vem, tequila vai, e ela começa a contar sobre um evento que a tinha deixado intrigada: a luz que acendia sozinha.

É que lá em Catende, de onde a gente vem (e nem faz diferença quem nasceu em Palmares, Recife ou mesmo Campina Grande, que todo mundo veio mesmo foi de Catende), lá no interior de Pernambuco, não tem essas modernidades não. Pra acender a luz, você tem que apertar o pitoco (que é o interruptor). E a história foi mais ou menos assim:

Toda vez que a gente saia do elevador, a luz acendia. E eu ficava olhando pra mão de Alê (o marido da sobrinha), pra ver se ele apertava em alguma coisa. E nada. Ele deve apertar em algum botão, né? E eu não vejo? A porta do elevador abria e a luz acendia.

E, agora a noite, quando a gente foi descer, abri a porta, pisei no tapete e a luz acendeu sozinha. E eu, muito esperta, achei que tinha entendido, né?

- Já sei, madrinha! É o tapete! Toda vez que a gente pisa no tapete, a luz acende. É isso. Já descobri.

- Cláudia, não é o tapete. É o sensor! Cláudia, sensor, sensor, Cláudia! hahaha”

Risos, hein? Gargalhadas. A história foi contada quatro vezes e não perdeu a graça. E eu fiquei pensando: como danado ela conseguiu dormir sem descobrir como era que a luz se acendia?

Teve também a história da torneira do banheiro, que a água saía sozinha, do petit gateau, do chuveiro que não esquentava (se eu tomo banho fervendo em Catende, imagina num frio da muléstia desses!), da pizza com o nome estranho. Nada como descobrir as coisas, que nem criança.

E esse mundo moderno é mesmo o fim do mundo, hein tia Cacá? Quer coisa mais honesta que apertar o pitoco?


E começa o doce novembro

Não me lembro quando o meu aniversário perdeu a magia. Mas, mágico ou não, novembro é um mês doce, que nem no filme. E, dentro de duas semanas, 27.

Vida nova então, não é bivô? E com presente de aniversário antecipado.

Gracias a la vida. É pique, é pique, é pique!


sexta-feira, 30 de outubro de 2009

No mundo da lua

É assim. A mente pensante do Coisas anda bobinha, bobinha.


Love, love, love, já dizia Pelé.

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"foi chegando sorrateiro e antes que eu dissesse não | se instalou feito um posseiro dentro do meu coração". Porque só o Chico sabe das coisas.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O maior agá do mundo

Não lembro bem qual é o nome que se dá pras desculpinhas esfarrapadas que a gente inventa vida afora por essas terras paulistanas. Mas lá na minha terra o nome disso é agá. E sei lá por que.

Agorinha à noite – um doce pra quem adivinhar que a história se passou num coletivo –, enquanto me preocupava em não manchar as unhas – ou borrar, que é o vocábulo mais comum pra essa situação lá em João Pessoa – recém pintadas de vermelho (mais precisamente Gabriela com Rebú, como se eu lá entendesse de cor de esmalte), escutei o seguinte diálogo:

Moça lá no último assento: Me dá o seu telefone, pra “mim” ligar pra você!

Rapaz prestes a descer na parada, com cara de “puuuutz”: Eita... pior que eu não sei de cabeça, ó...

Moça lá no último assento: (...)

Rapaz prestes a descer na parada, com cara de “puuuutz” e tirando o celular do bolso, len-ta-meeen-te, pra fingir que iria procurar o número: Ihhh, não vai dar tempo...

Pronto. Desceu. Correndo. Sem nem olhar pra trás. E eu olhei, né? Pra ver quem era a moça. Ficou lá, coitada, com olhar desolado, casaquinho rosa, comendo um sanduíche (que por aqui é bem mais conhecido como lanche) de pão francês, com alface saindo por todos os lados. E eu pensei, né: o maior agá do mundo esse negócio de não lembrar do próprio número.

Nem tão elementar assim, minhas caras e meus caros. Dia desses, esqueci o meu número e nem foi um agá. Lembram da vez que o
maníaco do aeroporto começou a ligar insistentemente de todos os números desconhecidos possíveis? E a história do integrante de uma banda de forró que começou a me chamar de “bebê” depois de me conhecer no café da manhã, num hotel pra lá de furreco?

Pois. Já que a pessoa fica sem graça e não sabe dizer “desculpa, mas não, não, não... sem número de telefone, beijo-não-me-liga-nunquinha-pelamor”, o jeito foi não decorar, assim, propositalmente, os meus números. Não que essa pessoa linda e loira (ah vá!) seja assediadérrima, deixemos claro, hein? Mas a jagunçada que andava me abordando era uma coisa horrorosa.

Problema é esse e só: quando um certo alguém (eita, olha a música do Lulu Santos vindo com tudo agora) que parece ser legal, parece ser bacana e blá pede o seu número e você diz “puuuuutz, esqueci, ó!”. O que é que a pessoa pensa, hein? Maior agá do mundo! Eis que você lembra do número do trabalho. Ufa! E viva o ramal corporativo!
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Uma divorcèe, coisa de senhorita distinta

Coisadinhos de mi vida, um comunicado importante, importantérrimo: sou uma divorcèe.

A bagaça, finalmente, está no papel. E não poderia ter sido em melhor hora. Believe!

pê.esse:
_ganhei até um parabéns do falecido. Viva, hein? Os bons modos, os tempos modernos, o divórcio aos 26 sem guris e com uma carinha de débutant. Love, love, love.